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domingo, 22 de novembro de 2009

Marx não foi à praia

Tudo que se quer de um bom cronista está em Oscar. Tudo que se espera da boa crônica está neste livro, que é uma seleção de textos publicados em jornais e páginas da internet. Analisando o cotidiano com humor - prerrogativa do gênero - brincando com pessoas, ideologias e com a própria profissão - o autor é Capitão da Brigada Militar e vice-presidente administrativo da Associação Gaúcha de Escritores - este nos apresenta textos rápidos, às vezes irônicos, às vezes ácidos. Sempre inteligentes.
A crônica que dá título ao livro, por exemplo, aponta que o único socialismo possível é o da praia, onde todos ficam iguais perante o sol e a areia.
O extraordinário e o banal do dia-a-dia, a precisão dos diálogos e o coloquial/erudito de sua linguagem candidatam Oscar Bessi Filho como um dos grandes nomes do gênero no Rio Grande do Sul.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

das virtudes

(estes versinhos têm mais de 10 anos e constarão na 2ª edição de "Do Útero do Mundo")

me solta, desata
dessa quietude que paralisa e mata
regalia torpe, imoral
remédios que fazem mal
miséria estulta essa
covardia que se chama inércia
não, não aceito ficar parado
todo homem deve ser melhorado
pelo trabalho, vontade, atitude
ação convertida em virtude
o medo é o germe do fracasso
sigo feito homem
ainda que não de aço
o progresso implica rebeldia
caindo e levantando
todo dia
dever do homem exercitar a mente
e não doar sua vontade
a qualquer gente
renunciemos favores dados
rebelemo-nos contra a rotina
olhemos a luz de frente
puxemos abaixo a cortina
não sejamos asfixiados
por nossos próprios escombros
não portemo-nos como se portássemos
uma cruz nos ombros
essas são caricaturas
virtude mascarada de certas criaturas
sombra que escorre
peso morto ao progresso
viagem triste aquela sem regresso
escravo que forja a própria prisão
corrente estagnada
pântano profundo
peso morto para todo o mundo
os débeis por natureza
medrosos por ignorância
não
não será essa nossa herança
coragem, sim
aceito o desafio
para acertar uma
sei que posso errar mil

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O exemplo que vem das Missões

Neste final de semana eu e a escritora Helô estivemos na cidade de Palmeira das Missões, participando do 2º Encontro da Arte da Palavra, promovido pela Escola Cacique Neenguiru. O evento foi um verdadeiro exemplo de comprometimento estudantil e comunitário, além de um grande incentivo à leitura para todo o município. Um dia inteiro de atividades, com apresentações, bate-papo com escritores, sessões de autógrafos e muito carinho por parte dos leitores. Cidade missioneira, de casario antigo, belezas naturais e povo hospitaleiro, a experiência vivida em Palmeira, como eles carinhosamente a chamam, permanecerá por muito tempo em nossas mentes.
Espero voltar sempre.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

à procura de um título...

quedarei a esperarte
no templo
a orar pelo teu pouso
aqui dentro


este poeminha bem poderia intitular-se "o templo e o dentro"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pra quem quiser acompanhar...

Sigo com minhas crônicas no site DEBATES CULTURAIS.
É só clicar no link abaixo!
Boa leitura!

http://www.debatesculturais.com.br/?p=2954

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

E o Anjo disse: Cotiporã



A exposição fotográfica "E o Anjo disse: Cotiporã", da fotógrafa caxiense Liliane Giordano, acompanhada de versos de minha autoria, foi uma das duas únicas selecionadas pelo edital 2009 do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, de Passo Fundo. A abertura da exposição, ocorrida na noite de 04 de novembro, foi um sucesso, com ótimo público presente e matérias nos principais veículos de comunicação da cidade.
O trabalho vem recebendo elogios calorosos por onde passa e muito provavelmente virará livro em 2010, nas comemorações dos 30 anos de emancipação política de Cotiporã.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Selecionado

A contadora de histórias caxiense Marta Troian participou no último final de semana, dias 30 e 31 de outubro, da maior festa da cultura do litoral gaúcho: o "Festival de Contação de Histórias de Pescador", realizado pela Casa da Cultura do Litoral, com apoio da Prefeitura de Torres e do SESCRS, além do patrocínio do Banrisul, Corsan e Governo do Estado do RS. Marta contou minha história "A Ilha Mágica", do livro "O Sino do Campanário". A história foi uma das 17 selecionadas entre as quase duas centenas vindas de várias regiões do Brasil, como São Paulo, Rondônia e outras. Os textos selecionados farão parte de um livro, que será distribuído e trabalhado nas escolas de todo litoral do estado.
Ganhamos viagem com tudo pago pelo Festival, eu, minha esposa e Marta. Foram dois dias de muito aprendizado, trocas e contatos.
O evento contou ainda com a presença de Maurício Kubrusly e a equipe da Rede Globo, que cobriu o evento, além da imprensa local.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Demasiado Humano

Nada do que é humano me é indiferente, diria há dois mil anos um personagem de Terêncio. A mim, porém, autor com trinta anos de idade, que primo pela observação arguta de homens e mulheres, muita coisa ainda causa perplexidade.
Esta semana um fato inusitado me fez compreender porque Hermann Hesse disse que há um lobo dentro do mais gentil dos homens. Um leitor, que conheço pessoalmente e que considerava culto e sensível, enviou-me um e-mail desaforado, agressivo, beirando a possibilidade de processá-lo por danos morais. Parceiro de conversas literárias em outros tempos, estava enfurecido após a leitura de meu livro Cela de Papel.
Ora, sempre considerei como meu título mais polêmico O Sino do Campanário. Este sim me trouxe problemas, principalmente com os católicos de plantão. Confesso que fiquei com muito medo na época do lançamento, e também quando foi adaptado para o cinema. Mas enfim sobrevivi. Agora, com o Cela eu não esperava provocar esse tipo de reação. E, devo registrar, foi a primeira dessa natureza. O cara estava possesso, dizendo que eu deveria queimar o livro, e que inclusive ele pagaria o fósforo. Imaginem uma figura dessas com uma suástica no braço ou num tribunal de inquisição. Eu e meus livros já teríamos sido queimados há muito, ou fuzilados, no caso do primeiro exemplo.
E enumerava erros na minha obra, como jamais falar sobre Deus sem antes ler os Doutores da Igreja -- Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, São Boa Ventura e mais meia dúzia de Sãos. Entenderam, todos vocês, jamais falem de Deus, mesmo numa obra de ficção, mesmo através de um personagem, nem uma frasezinha, sem antes se debruçar sobre esses santos todos.
Também sobre psicologia (um dos personagens diz que se Jesus tivesse frequentado um psicólogo, não teria deixado o legado que deixou), esse leitor prega que jamais eu deveria ter dito isso sem ler todos os tratados sobre psicanálise. Mas é apenas um personagem. Ele está ali para dizer isso. Nem significa que essa é minha opinião, embora talvez seja.
E por aí vai, enfileirando defeitos: conotações apelativas - sex appel – (sic!), repetição de vocábulos (não entendeu que era para reforçar o efeito), o uso excessivo de aspas (ignora que boa parte dos romances usa aspas em vez de travessão) e outros.
Reconheço, claro, que Cela de Papel não é livro para qualquer um. Também sei que não é perfeito. É uma narrativa experimental, inventiva, que quebra algumas formalidades tradicionais. Porém, sua aceitação está muito acima do que eu esperava, com elogios ardentes inclusive de escritores renomados. Acredito, sinceramente, que mesmo o pior dos livros contém pelo menos uma frase que o salva, livrando-o das labaredas.
Assim como me surpreendeu esta semana, numa entrevista, Mike Tyson, fragilizado e humano diante das câmeras, ele que metia medo só com o olhar no ringue, agora me causou espanto este leitor, tão calmo, quase meigo, virar uma fera por causa de um simples livro.
É o poder da literatura. E das contradições todas de que somos feitos.

domingo, 25 de outubro de 2009

Ilustração sobre minha crônica "A implosão da ética"





sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Disciplina

não serei seu inimigo
também não quero ser amigo
seremos "conhecidos"
podemos nos cumprimentar quando
num café ou esquina
esbarrarmos um no outro
podemos até sorrir no dia
em que isso acontecer
porém, tentarei evitar
disciplinadamente
que aconteça.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Problemática

o problema é o mundo
minha vida no mundo
eu in-mundo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Poema IV - Do Útero do Mundo

(poema premiado no concurso de poesias da Fenavinho - 2006)
ara e revolve a terra
poda e enxerta a planta
o tombador de sementes brandas
com tamanho intento na língua
que uma ânsia incita salivas
tudo feito com exata ciência
e tomba a vida à videira
e sonha o vinho à garganta
nem foi ele a inventar o néctar
que não esperou pra ser inventado
está lá desde sempre, madurando
onde quer que uvas tombadas
retenham sucos fermentados
inculto alquimista é o que tomba
e não domina a ciência do grão
em algum lugar da videira
o tombador se embriaga da polpa
e pousa o cálice ardente
nele pousa o sangue e a lágrima
tinto branco ou rosé
ardendo na sede sagrada
que melhor será saciada
quanto mais souber esperar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

II Semana do Escritor e dos Artistas Caxienses

Inicia hoje, às 18h30min, no auditório da 25ª Feira do Livro de Caxias do Sul, a II Semana do Escritor Caxiense. No ano passado a semana, com todos os seus erros e acertos, culminou com a criação da Cooperarte, a Cooperativa dos Artistas da Serra. Um importante passo para a organização e a circulação dos nossos produtos culturais.
Estarei mediando o debate de hoje, cujo tema é: O livro como mercadoria de consumo.
Amanhã serei um dos palestrantes, com o tema: O leitor contemporâneo e suas características.
Quarta novamente estarei mediando o debate, que versará sobre: Como aproveitar o uso da bolsa cultural.
Compareçam, participem, ajudem a engrossar o caldo da arte de Caxias e região.
Esperamos todos, artistas ou não.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Maratona Literária

As últimas semanas têm sido uma verdadeira maratona, uma corrida literária em minha vida. Mal tenho tido tempo de comer direito. Uma semana inteira contratado pela Prefeitura de Veranópolis, palestras em escolas da cidade e região, mediações de debates pelo SESC em Caxias e Bento Gonçalves, palestras e mediações na Feira do Livro de Caxias do Sul, gravações do Programa Café com Letras, do qual sou apresentador, entrega de textos para o Jornal Gazeta de Caxias e para a Revista Acontece, além do site cultural de São Paulo (http://www.debatesculturais.com.br/) para os quais escrevo regularmente. Isso tudo além do meu trabalho normal, é claro, na Biblioteca Pública Municipal de Caxias do Sul, onde atuo na coordenação de projetos especiais. Minha sorte é que trabalho com o que amo e acredito, caso contrário estaria perdido.
O conhecimento é a cura. Vida longa à literatura.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

1984



(George Orwell – Companhia Editora Nacional – 302 páginas)

O Big Brother é uma realidade e George Orwell um profeta. Mais do que um grande intelectual, considerado o maior escritor político do século XX, Orwell criou este termo que foi emprestado ao programa de TV mais assistido de nosso país.

Neste romance, escrito dois anos antes de sua morte, o autor cria um mundo dominado pelo chefe supremo do Partido, o Grande Irmão, que vigia a todos através das teletelas. Com o controle das ações dos cidadãos, somado à construção de um novo idioma, a Novilíngua, feito apenas de palavras que impedem opiniões contrárias ao Partido, o Big Brother não deixará qualquer defesa para a oposição.

Uma contundente metáfora sobre poder e modernidade, onde Winston Smith, o personagem, acabará por descobrir que guerra é paz, liberdade é escravidão e ignorância é força.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mulheres de Letras (e de Atenas?)

Acabo de ler duas obras que caíram em minhas mãos entre os mesmos dias. Assim, as li simultaneamente, pois gosto de intercalar leituras – já me peguei lendo seis livros ao mesmo tempo. Não recomendo. Duas leituras concomitantes são possíveis de realizar com eficiência e profundidade; mais do que isso é confusão certa. Pelo menos para mim, que acabei descobrindo meus macetes ao longo desses anos todos debruçado sobre a celulose.
O que li e quero registrar foi “Vestígios – Memórias”, de Valmi Carneiro Elias e “Galópolis – El Profondo Vale Verde”, de Teresinha Isabel Rihl Tregansin. Duas autoras caxienses, com livros diferentes e propósitos semelhantes: eternizar no papel seus passados e suas memórias afetivas.
O primeiro, como o título sugere, é a autobiografia da autora. Com edição caprichada da Maneco e com uma prosa despojada de artifícios, Valmi vai tricotando ao longo das 342 páginas toda a sua história, desde antes de seu nascimento até os dias atuais. O casamento dos pais e o dela própria, os preconceitos dos quais foi vítima, as mudanças de cidades, a morte prematura do filho e a doença devastadora do marido - o Mal de Alzheimer - são os eixos principais da obra. Recheada de fotografias e de citações de grandes escritores, o livro, apesar do volume, flui bem, com alguns momentos de dor pungente. É o que a faz citar Gabrielle S. Colette: “Escrever! Tentação de purgar raivosamente tudo de mais que nos vai pela alma adentro, e rápido, com aquela rapidez que faz a mão relutar e protestar. Escrever, gozo e sofrimento!”
O segundo, um primor gráfico e editorial, é um trabalho organizado por Teresinha, mas na verdade é uma obra conjunta de uma série de artistas. Mergulhando fundo no resgate histórico de Galópolis, suas gentes e artes, o livro traz textos acadêmicos, fotografias recentes e antigas, pinturas, crônicas de pessoas que nasceram ou viveram na comunidade, seu Hino e muito mais. Uma verdadeira garimpagem que resultou em mais de 130 páginas de puro deleite memorialístico, poético e visual. Se já era fácil amar Galópolis, agora ficou ainda mais. O vale onde o sol e a lua precisam galgar os montes para assinalar presença, ganhou a história nas páginas deste livro.
Duas autoras com muita bagagem e que se dispõe a compartilhar conosco suas histórias, amores, lembranças e sofrimentos. Mulheres que, do alto de suas maturidades, ainda se arriscam publicamente e, como diz o popular, dão a cara a tapa. Mirem-se no exemplo dessas mulheres, que não são de Atenas, mas inquietas, trabalhadoras, sensíveis, criadoras corajosas. À Valmi e à Teresinha, meus parabéns e a minha sincera admiração.

sábado, 26 de setembro de 2009

Participação na Mini Feira do Livro - Veranópolis



À convite da Prefeitura de Veranópolis, estive de 21 a 25 de setembro proferindo uma série de palestras nas escolas municipais. O evento é uma preparação para a Feira do Livro da cidade, que ocorre de 04 a 11 de outubro.