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sábado, 26 de julho de 2014

Sobre minha Cela

"Cela de Papel" é um desvario planejado nos mínimos detalhes para que o leitor consiga experimentar a mesma sensação dos personagens. Um jogo assim, ambicioso e arriscado, tinha tudo para não funcionar. No entanto, como adverte José Clemente Pozenato na contracapa do livro, faz com que o leitor se delicie com as surpresas verbais e imensas possibilidades do texto. Um exercício de Uili que desacomoda e causa desconforto. 
Não é, de forma alguma, uma obra passível de ser classificada. Nenhum rótulo cabe em "Cela de Papel". Não é ficção científica, não é fábula, nem conto maravilhoso ou texto filosófico, nem onírico, nem fantasia, nem paródia ou estimulante sexual. Não é conto, não é novela, nem romance ou poesia em prosa. É um livro atípico, inclassificável, já que pode ser enquadrado em todas essas especificações.
Numa verdadeira ode ao ato de ler, já que o próprio escritor é um leitor militante, esta obra singularíssima de Bergamin representa um desses oásis que concebem a leitura como salvação aos aprisionamentos da frivolidade, do mau gosto e da educação vazia.
Leitura do mais alto calibre. Recomendo.

João Antônio Dubrovnick
Professor 


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